A China será o primeiro país sem dinheiro?

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Notas ou cartão para quê? Seis em cada dez compras feitas na China já são pagas digitalmente, num mercado trilionário disputado por dois gigantes.

As compras sem dinheiro já representam 60% do total no país. Em mercados maduros, como o do Reino Unido, o índice também é alto (55%), mas o que chama a atenção na China é o fato de o país estar pulando do dinheiro físico para os meios digitais sem passar pelo cartão de crédito ou de débito. Em 2016, por exemplo, o volume de pagamentos feitos com o smartphone chegou a 5,5 trilhões de dólares.

A mudança é impulsionada por um aumento de 31% no PIB per capita, para 6 500 dólares, e de 30% na taxa de uso da internet, para 50 em cada 100 chineses, nos últimos sete anos. Além disso, os smartphones são relativamente baratos. Um aparelho de ponta de fabricantes locais, como Oppo, Huawei e Xiaomi, custa pouco mais de 500 reais.

Os jovens chineses não tiveram computador e pularam para o celular. Também não tiveram cartão de crédito e foram direto para os pagamentos digitais. Quando eles passaram a ter acesso à tecnologia, mergulharam de cabeça, diz In Hsieh, presidente da China-Brasil Internet Promotion Agency e ex-diretor da Xiaomi no Brasil.

A pouca popularidade do cartão de crédito e os entraves na regulação ajudam a explicar o tamanho do fosso nos pagamentos digitais entre a China e outros grandes mercados. Segundo a empresa de pesquisas Forrester, os pagamentos móveis nos Estados Unidos chegaram a 112 bilhões de dólares em 2016, ou 2% do tamanho do mercado chinês, o que também revela certa resistência por parte dos americanos a usar o smartphone no lugar do cartão para fazer compras.

Duas companhias chinesas, sozinhas, responderam por 3 trilhões de dólares em transações em 2016: a varejista online Alibaba, dona do serviço de pagamentos Alipay, e a empresa de tecnologia Tencent, dona do aplicativo WeChat (conhecido como Weixin na China). Cinco anos atrás, o volume de transações feitas pelas duas empresas não chegava a 100 bilhões de dólares. A velocidade de crescimento se explica por uma corrida frenética entre elas.

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O serviço que mais cresce é o WeChat Pay, lançado em 2013 como uma carteira virtual dentro do aplicativo. A entrada do WeChat no mercado de pagamentos foi chamada pelo concorrente Jack Ma de um “ataque de Pearl Harbor” ao Alipay.

O sistema Alibaba ainda é líder na China com 54% de participação nas compras digitais, tanto em lojas online quanto físicas. Cada um dos 450 milhões de usuários do Alipay gasta, em média, 2 921 dólares por ano usando o serviço.

Durante o Dia do Solteiro, em novembro, principal data do varejo chinês, 1 bilhão de dólares foram gastos pelos usuários do Alipay em um único dia. Já o WeChat Pay tem 37% do mercado chinês, mas vem ganhando terreno. O valor gasto por usuário em 2016 ficou em 1 526 dólares, um aumento de 168% em um ano.

A Tencent, dona do WeChat, cresce porque tem uma dominância invejável da audiência móvel na China — 55% do tempo que os chineses passam no celular são gastos em algum dos aplicativos da empresa (QQ, WeChat e outros). Como está sempre aberto na palma da mão de seus usuários, o WeChat Pay acaba sendo a ferramenta mais rápida para fazer um pagamento no mundo real — em lojas, restaurantes e barracas de rua. Um estudo feito pela consultoria McKinsey no ano passado revela que 31% de todos os usuários do WeChat fizeram compras no aplicativo, o dobro de 2015.


Matéria completa em: http://exame.abril.com.br/revista-exame/a-china-sera-o-primeiro-pais-sem-dinheiro/

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